Especial Dia da Consciência Negra - Chuva, escola e manga
15 de Novembro de 2013 às 00:00
Originalmente publicado no Blog da Brinque
James Rumford morou no Chade; escreveu para que as pessoas que nunca estiveram lá pudessem enxergar o que existe de familiar entre "nós" e "eles". Imagem: Chuva de manga, de James Rumford
Para as crianças, costumamos dizer que o Chade é um país que fica lá longe, no centro do continente africano. Seu povo vive uma realidade diferente e, ao mesmo tempo, próxima do nosso coração brasileiro.
Chuva de manga
Há terras secas e alguns momentos de fertilidade, no solo árido - uma bênção da água que cai do céu. E seguimos apresentando "Chuva de Manga", já que a leitura aproxima os povos. Por meio da rotina do menino Tomás, personagem principal, os leitores poderão imaginar o que é esperar pela chuva, fazer um carrinho de lata e apreciar os frutos da terra generosa, que nos oferece a alegria de saborear e cheirar uma manga dourada. A felicidade de um povo que tem pouco e valoriza tudo é uma lição de vida para todos. E ainda que distante na geografia, quantas semelhanças podemos ver com nossa realidade brasileira, não? Nossa história, terras, frutas, clima e todas as cores. Agradável e poético, Chuva de Manga é, sobretudo, original.
Já reparou nessas cores incríveis? Dá até um quentinho no coração! Imagem: Chuva de manga, de James Rumford
Escola de chuva
Cinco anos depois, James continuou falando da chuva. De Tomás também. É o primeiro dia de aula em Kelo, no Chade, na África. As crianças caminham pela estrada. “Vou ganhar um caderno?”, pergunta Tomás. “Vou ganhar um lápis? Vou aprender a ler como vocês?”. Mas quando ele e as outras crianças chegam à escola, não há sala de aula nem carteiras. Apenas uma professora. “A primeira lição é construir a nossa escola”, diz ela. Sem dúvida, "Escola de chuva" é uma história emocionante sobre o amor pelo aprendizado, o desejo de estudar e sobre a maior herança que um adulto pode deixar para uma criança: o conhecimento. Recentemente, em entrevista a um site norte-americano, James deixou a seguinte mensagem: "Gostaria de contar essa história nos locais mais afastados e dizer que se as crianças do livro tiveram acesso à educação, então todas crianças terão também. Nas escolas dos bairros de classe média, nos Estados Unidos [onde a maioria é pública], eu diria para que os alunos valorizassem a escola e seus professores. Nos colégios particulares, minhas palavras seriam para que os alunos apreciassem o que têm. E para todas as instituições de ensino e governantes no meu país, minha frase seria a seguinte: Veja como um professor é importante. Aumente o salário deles."///
A seguir, leia a entrevista que James Rumford concedeu ao Blog da Brinque:
"Quero que as crianças sintam que estão num meio ambiente diferente e, ao mesmo tempo, que esse ambiente seja familiar também", diz o autor. Imagem: Escola de chuva, de James Rumford
Este texto foi publicado originalmente no Blog da Brinque e estava hospedado no site da Brinque-Book. A editora Brinque-Book foi integrada ao Grupo Companhia das Letras em outubro de 2020 e a migração deste conteúdo para dentro do Blog da Letrinhas tem como objetivo somar conhecimentos, unificar os blogs e fortalecer a produção de conteúdo sobre literatura infantil, leitura e formação de leitores.



